Nas Bancas: O aborto dos outros
Por Brunna Rosa [Sexta-Feira, 26 de Setembro de 2008 às 19:53hs]Embora o aborto seja considerado crime no Brasil, mesmo com todas as conseqüências que isso traz, em duas circunstâncias a legislação brasileira garante o direito à interrupção da gravidez. No caso de violência sexual (estupro) – desde que consentido pela gestante ou representante legal em caso de incapacidade – ou em situações de risco à vida da mulher. Porém, a desinformação e o preconceito que cercam toda a discussão sobre o aborto acabam impedindo que as pessoas tenham acesso a um serviço que é um direito, além de gerar dúvidas e questionamentos até mesmo nos profissionais envolvidos nesse procedimento. Em 2005, o Ministério da Saúde reeditou a norma técnica de Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual Contra Mulheres e Adolescentes – a primeira versão é de 1999 –, e trouxe como principal novidade a não-exigência da apresentação do boletim de ocorrência (BO) pelas vítimas de violência sexual para a realização do aborto legal e o acompanhamento social, psicológico e médico necessários. A decisão de interromper ou não a gravidez cabe a uma junta médica após ouvir as vítimas e apurar as informações. A nova norma técnica faz parte de uma estratégia do governo federal de distribuir manuais técnicos e cartilhas a gestores de políticas públicas, médicos e hospitais para orientá-los no atendimento à mulher nesta situação, que também inclui a disponibilidade da “pílula do dia seguinte”. Acompanhando exatamente o cumprimento dessa norma, a diretora Carla Gallo realizou uma longa pesquisa e produziu um documentário sobre mulheres que optaram pela interrupção da gravidez nesses casos. O filme O Aborto dos Outros, que estreou no dia 5 de setembro nos cinemas brasileiros, retrata a situação das mulheres que, amparadas pela lei, interromperam a gravidez, além de outras que fizeram abortos clandestinos e sofreram as duras conseqüências. Em uma das entrevistas do filme, o médico Jefferson Drezett calcula que 70 mil mulheres morram por ano no mundo em decorrência de abortos inseguros. Uma a cada sete minutos. Confira abaixo a entrevista com Carla Gallo, que dirigiu também outros documentários independentes como Tom Zé ou quem irá colocar uma dinamite na cabeça do século e Hijab – Além do véu. Fórum – Você acompanhou adolescentes e mulheres em processo de abortamento legal em hospitais públicos em São Paulo. Como foi a construção deste filme sobre um tema tão polêmico? Carla Gallo – Tive um tempo longo para produzir o filme. Foram três anos de pesquisa, e nesse período conheci muitos médicos, psicólogos e assistentes sociais que trabalhavam no serviço de atendimento à mulher vítima de violência. Quando comecei a entrar no processo de produção, no início das filmagens, já tinha falado com algumas pessoas que conheciam meu trabalho, sabiam que era uma pesquisa séria e realizamos uma espécie de acordo com eles. Assim, sempre que chegasse uma mulher no atendimento por conta de aborto, eu apresentava o projeto e dizia quais eram as intenções. Elas escolhiam de que forma seria feito o registro no filme, mostrando o rosto ou não, só com a voz e uma parte do rosto etc. e a partir daí cada mulher registrada no filme teve um foco diferente. Muitas outras questões envolvem o aborto, como a vergonha, medo da represália da sociedade e, nos casos de estupro, do agressor também. Fórum – E quanto à relação com os profissionais de saúde, qual foi a reação deles? Gallo – Foi uma coisa bem heterogênea, muitos se abriram e ponderaram que era interessante a possibilidade de discutir esta questão. Mas houve também outros profissionais que não aceitaram ser filmados, porque alguns desses médicos, que trabalham no atendimento às mulheres vítimas de violência sexual, suas famílias ou mesmo amigos e vizinhos não sabem de seu trabalho, que fazem abortos legais. Para eles também é uma situação complicada e muitos têm medo da exposição. Fórum – Muitas mulheres quando procuram agentes de saúde ou de segurança com uma situação de violência sexual ou com dúvidas quanto ao direito ao abortamento legal recebem orientações errôneas ou são coagidas a não procurar seus direitos. Como foi seu contato com esses casos e como dialogar para evitar esses problemas? Gallo – Infelizmente é comum, no filme mesmo há situações deste tipo retratadas. Mas existe muita desinformação. No processo de pesquisa e produção do filme entrevistei um delegado que sequer sabia do artigo 128 do Código Penal, que garante o direito da mulher ao abortamento no caso de violência sexual ou quando é a única possibilidade de salvar a vida dela. Falta obviamente educação e possibilidades das pessoas cuidarem de seus direitos reprodutivos, conhecerem os métodos contraceptivos. O Estado precisa estimular isso. O assunto é polêmico, mas se você pensa mundialmente a questão rapidamente chega à conclusão de que os países em que há o aborto legalizado junto a políticas públicas de direitos reprodutivos e educação o número de abortos é menor. No Brasil, ao contrário, temos um número enorme de casos. A pergunta correta é: criminalizar o aborto está resolvendo? Os dados apontam que não, nosso país é um dos que mais aborta no mundo. Na Holanda, Alemanha, Itália, Inglaterra e vários outros, o aborto é legalizado e as taxas de realização dele são infinitamente menores. Fórum – Esses países que você citou tratam a questão do aborto como saúde pública, mas nem por isso eles são menos ou mais religiosos. Exatamente o contrário do que acontece aqui, que o diálogo é extremamente difícil. Baseado em suas pesquisas e na realização do filme, como você analisa esta situação? Gallo – Falta as pessoas baixarem um pouco a guarda em relação à religião e à moral porque isso acaba travando o debate. Como exemplo, sempre cito a pílula do dia seguinte, que não é abortiva. A OMS [Organização Mundial da Saúde] já disse isso e a Federação Brasileira de Ginecologia também. A pílula impede o encontro do espermatozóide com o óvulo ou atrasa a ovulação, mas muitos fatores alimentam os mitos, como a parte da mídia que continua a afirmar que a pílula é abortiva. Isso alimenta toda essa carga de moral e religião e prejudica o debate. Fórum – Com tantas forças contrárias, o debate sobre o aborto não fica prejudicado a ponto de se inviabilizar? Gallo – Acredito que seja um processo lento, existem trabalhos de movimentos de mulheres e de políticos que querem discutir a questão sob outros ângulos. No fundo, somos todos contra o aborto, não queremos que o número de abortos aumente, queremos que as mulheres e os homens tenham seus direitos reprodutivos ampliados. E o que estes movimentos estão tentando fazer é ampliar o diálogo para discutir o quanto é importante falar abertamente sobre o assunto. Legalizar é ter uma política de atendimento amplo, não é incentivar o aborto e sim tirar da marginalidade as mulheres que o realizam e que sofrem conseqüências desastrosas. Condenar alguém por fazer aborto não é justo, e além do mais não adianta nada, mais uma vez os números comprovam. Fórum – No documentário, a religião é extremamente presente para as pessoas. Você optou por abordar o tema? Gallo – Quando comecei a fazer o filme sobre o aborto e com uma perspectiva feminina, a religião começou a entrar pelas próprias mulheres, em momento algum eu perguntava, elas que falavam espontaneamente. Fórum – Agora você está realizando um ciclo de debates com o filme. Como está sendo a recepção das pessoas? Gallo – Por enquanto estamos fazendo em São Paulo e no Rio de Janeiro. Fizemos uma pré-estréia na PUC-SP, mas a PUC-RJ não permitiu. Também realizamos em outras universidades e em comunidades também, como a Nós do Morro, a Cufa [Central Única das Favelas]. O debates estão sendo ótimos, pois por mais que os espectadores tragam resistências eles estão dialogando, o que já é um grande avanço. F Para saber mais: Articulação de Mulheres Brasileiras: www.articulacaodemulheres.org.br Articulação Feminista do Mercosul: www.mujeresdelsur.org.uy Organização não governamental Ipas: www.ipas.org.br Católicas pelo Direito de Decidir: www.catolicasonline.org.br 4 Meses, 3 Semanas, 2 Dias (2007), filme de Cristian Mungiu O segredo de Vera Drake (2004), filme de Mike Leigh O Drama do Aborto: em Busca de um Consenso, de Anibal Faundes e José Barzelatto, Editora Komedi Direito de decidir: múltiplos olhares sobre o aborto, de Mônica Bara Maia (orgs.), Editora Autêntica A entrevista integra a edição nº 66 da revista Fórum. Para adquirir entre em contato conosco ou reserve com o seu jornaleiro!
Enviado pela Profa. Denise
terça-feira, 30 de setembro de 2008
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
"O que você faria se seu filho fosse heterossexual?"
Reportagem no Youtube: "O que você faria se seu filho fosse heterossexual?"
O vídeo é irônico pois mostra como a questão da homossexualidade é tabu ao ponto das pessoas se confundirem entre homossexual e heterossexual.
ESCLARECIMENTO: Postei esse vídeo por motivos de descontração. Caso alguém ache que vai contra a proposta do blog, não exitem em deletar o post. Já divulguei o vídeo por outros meios.
O vídeo é irônico pois mostra como a questão da homossexualidade é tabu ao ponto das pessoas se confundirem entre homossexual e heterossexual.
ESCLARECIMENTO: Postei esse vídeo por motivos de descontração. Caso alguém ache que vai contra a proposta do blog, não exitem em deletar o post. Já divulguei o vídeo por outros meios.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
CINEARTH NO MUSEU - PROGRAMAÇÃO!
O CINEARTH retoma as atividades em novo espaço - no Museu da Escola Catarinense(antiga Faed) segue abaixo a lista de filmes deste mês que terá como tema a memória, em parceria com PRAAPEG - No fio da Memória.
Memórias por um fio, fios da memória...
CHEGA DE SAUDADES - BRASIL, 2008 - Drama. Dirigido por Laís Bodanzky. Elenco: Tonia Carrero, Betty Faria, Stepan Nercessian, Cássia Kiss, Maria Flor, Paulo Vilhena. 13 / 09 / 2008 / 18.00h. / Duração:1h. 32`
Com personagens ricos em histórias, os conflitos vão se desenvolvendo através da trama central de Marici e Eudes. A chegada de uma moça na festa ascende os conflitos e desejos já adormecidos, mas ainda existentes em Eudes. O filme é um olhar diferente sobre a maturidade. Um dos pontos fortes do longa é a trilha sonora interpretada por Elza Soares e Marku Ribas, clássicos como “Não Deixe o Samba Morrer” e “Você Não Vale Nada”. O roteiro pode deixar os espectadores confusos, já que foge do padrão começo, meio e fim. A fotografia é bem feita, dando a impressão, para quem assiste, que está dentro da festa. Vencedor do Prêmio Candango, do Festival de Brasília.
Comentadores(as): Maria Teresa Santos Cunha / História / UDESC - Rafael M. Bastos / Antropologia / UFSC
JUVENTUDE - SUÉCI A, 1950 - Drama. Dirigido por Ìngmar Bergman. Elenco : Maj-britt Nilsson, Birger Malmsten, Alf Kjellin e Annalisa Ericson. 17 / 09 / 2008 / 18.30h / Duração: 1h 36`
Na véspera da estréia do seu novo espetáculo, a bailarina Marie recebe um diário, que a faz lembrar do seu primeiro amor na juventude, um episódio que marcou para sempre sua vida. Com cenas de extrema beleza e um excelente roteiro, Juventude é uma evocação poética do amor, da memória e da dor da perda. Um Bergman de primeira.
CREPÚSCULO DOS DEUSES - EUA, 1950 - Drama. Dirigido por Billy Wilder. Roteirista(s): Charles Brackett, Billy Wilder, D.M. Marshman Jr. Elenco: William Holden (1), Gloria Swanson, Erich von Stroheim, Nancy Olson, Fred Clark, Lloyd Gough, Jack Webb, Franklyn Farnum, Larry Blake¹, Charles Dayton (2), Cecil B. DeMille, Hedda Hopper, Buster K.. 20 / 09 / 2008 / 18.00h / Duração: 1h 50`
Ex-diva do cinema mudo (Gloria Swanson) recebe a visita de um roteirista desconhecido (William Holden). Este é quem narra a história, com doses de humor, sarcasmo e drama, para relembrar seu envolvimento com Norma Desmond, uma esquecida estrela de Hollywood que vive de lembranças em sua mansão localizada na célebre Sunset Boulevard e cujo único empregado é, ironicamente, o antigo diretor de seus filmes (memorável performance de Erich von Stroheim). Clássico absoluto de Billy Wilder, vencedor de três Oscars, o filme é uma das mais devastadoras sátiras sobre o lado sombrio do ser humano e da indústria de cinema americano.
Comentadora: Janice Gonçalves / História / UDESC
CIDADÃO KANE - USA, 1941 - Drama. Dirigido por Orson Welles. Elenco: Joseph Cotten, Orson Welles, Dorothy Comingore. 24 / 09 / 2008 / 18.30 / Duração: 1h 59
Quando dirigiu, produziu, protagonizou e foi co-roteirista de Cidadão Kane, Welles tinha 25 anos e já conquistara fama, confirmando sua índole polêmica, ele fez um filme no qual se identificavam alusões ao magnata das comunicações William Randolph Hearst. A história conta como o repórter Thompson (Joseph Cotten) reconstitui a trajetória do empresário da imprensa Charles Foster Kane (Welles), buscando decifrar o significado de sua última palavra no leito de morte: "rosebud". O repórter entrevista, então, as pessoas próximas ao figurão. Um emaranhado de informações vai se costurando à frente dos olhos do espectador, desde a infância pobre, revelando um Kane por vezes perturbado, mas sempre ambicioso. Essa multiplicidade de fontes usadas pelo repórter cria um conjunto de perspectivas diferentes, funcionando como peças do quebracabeças que os espectadores vão montando.
O filme faz uso de flashbacks, sombras, tem longas seqüênciãs sem cortes, mostra tomadas de baixo para cima, distorce imagens para aumentar a carga dramática; a iluminação é pouco convencional, o foco transita do primeiro plano para o background, os diálogos são sobrepostos e os closes usados com contenção. Revolucionário. O personagem pode ser visto retrospectivamente como alguém amargo, sombrio, arrogante, manipulador, cruel e impiedoso. Sua trajetória, no entanto, encerra muito do sonho americano: idealismo, espírito de iniciativa, fama, dinheiro, poder, mulheres, imortalidade.
Oscar: Vencedor dos Prêmio de Melhor Roteiro - Indicado aos Prêmios de Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Direção de Arte, Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora, Melhor Som e Melhor Fotografia.
Assoc. de Críticos de Nova York: Vencedor Prêmio de Melhor Filme.
HIROSHIMA MEU AMOR - FRANÇA / JAPÃO, 1959 - Drama. Dirigido por Alain Resnai. Roteirista: Marguerite Duras. Elenco: Emmanuelle Riva, Eiji Okada, Stella Dassas, Pierre Barbaud, Bernard Fress. 27 / 09 / 2008 / 18.00h / Duração: 1h 30`
História de uma atriz francesa (Emmanuelle Riva) que está em Hiroshima para participar de um filme sobre a paz. Durante as filmagens ela acaba se envolvendo com um arquiteto japonês (Eiji Okada) que sobreviveu ao bombardeio. Ele a faz relembrar seu primeiro amor, um soldado alemão que conheceu em Nevers, na França, no final da Segunda Guerra, período no qual foi perseguido.
.Toda a ação de ''Hiroshima Meu Amor'' é entrecortada por estas lembranças e o tempo presente. Foi um dos filmes que mais influenciaram os jovens intelectuais engajados politicamente nos anos 1960.
Entrelaçando som e imagem, cenas de um brutal documentário e seqüências tenras de amor, passado e presente, cidade e indivíduo, paixão e desespero, Alain Resnais cria um filme de tirar o fôlego que, como muitas outras obras de arte, nunca pode ser inteiramente apreciado e entendido. Hiroshima, Mon Amour precisa ser sentido - combinando os leves carinhos do amor de dois corpos interligados com a pele queimada e cheia de bolhas de uma vítima de ataque atômico - e os sentimentos que são aqui evocados desafiam o entendimento e explanação. O filme ganhou diversos prêmios em Cannes e foi indicado para o Oscar de Roteiro.
LOLITA - EUA / INGLATERRA 1962 - Comédia / Drama. Dirigido por Stanley Kubrick. Elenco: James Mason, Shelley Winters, Sue Lyon. 04 /10 /2008 / 18.00h / Duração: 2h 32`
Idealizado a partir do livro homônimo de Vladimir Nabokov, e com roteiro creditado ao próprio, Lolita aparece dentro da filmografia de Stanley Kubrick como o mais polêmico de seus trabalhos, ainda que o texto original de Nabokov tenha sido drasticamente alterado quando da realização efetiva do filme, de acordo com várias fontes.No início dos anos 60, a demonstração de qualquer coisa remotamente associada à pedofilia era algo sobre o qual a censura mantinha olho vivo.Lolita é uma pré-adolescente de 14 anos, de olhar encantador e trejeitos inocentemente sensuais. Ela dá nome ao filme e preenche a alma do professor Humbert (James Mason), um escritor que acaba de chegar da Europa para lecionar nos Estados Unidos e hospeda-se na pensão de Charlotte Haze (Shelley Winters), a mãe da moça. Humbert apaixona-se assim que põe os olhos na garota.Ao redor de sua redoma obsessiva está o também escritor Clare Quilty (Peter Sellers), uma figura excêntrica que vira e mexe se intromete entre ele, Charlotte e a adorável Lolita.
Exercício sutil sobre a obsessão sexual, retrato amargo de uma criatura condenada por essa obsessão e uma ode à tenra beleza feminina e seus irresistíveis encantos. É quase possível sentir pena do personagem de James Mason, um homem normal até o último fio de cabelo, sem atrativos físicos ou posses a que se poderia atribuir o fascínio recíproco de uma adolescente com os hormônios em franca ebulição.
.
Memórias por um fio, fios da memória...
CHEGA DE SAUDADES - BRASIL, 2008 - Drama. Dirigido por Laís Bodanzky. Elenco: Tonia Carrero, Betty Faria, Stepan Nercessian, Cássia Kiss, Maria Flor, Paulo Vilhena. 13 / 09 / 2008 / 18.00h. / Duração:1h. 32`
Com personagens ricos em histórias, os conflitos vão se desenvolvendo através da trama central de Marici e Eudes. A chegada de uma moça na festa ascende os conflitos e desejos já adormecidos, mas ainda existentes em Eudes. O filme é um olhar diferente sobre a maturidade. Um dos pontos fortes do longa é a trilha sonora interpretada por Elza Soares e Marku Ribas, clássicos como “Não Deixe o Samba Morrer” e “Você Não Vale Nada”. O roteiro pode deixar os espectadores confusos, já que foge do padrão começo, meio e fim. A fotografia é bem feita, dando a impressão, para quem assiste, que está dentro da festa. Vencedor do Prêmio Candango, do Festival de Brasília.
Comentadores(as): Maria Teresa Santos Cunha / História / UDESC - Rafael M. Bastos / Antropologia / UFSC
JUVENTUDE - SUÉCI A, 1950 - Drama. Dirigido por Ìngmar Bergman. Elenco : Maj-britt Nilsson, Birger Malmsten, Alf Kjellin e Annalisa Ericson. 17 / 09 / 2008 / 18.30h / Duração: 1h 36`
Na véspera da estréia do seu novo espetáculo, a bailarina Marie recebe um diário, que a faz lembrar do seu primeiro amor na juventude, um episódio que marcou para sempre sua vida. Com cenas de extrema beleza e um excelente roteiro, Juventude é uma evocação poética do amor, da memória e da dor da perda. Um Bergman de primeira.
CREPÚSCULO DOS DEUSES - EUA, 1950 - Drama. Dirigido por Billy Wilder. Roteirista(s): Charles Brackett, Billy Wilder, D.M. Marshman Jr. Elenco: William Holden (1), Gloria Swanson, Erich von Stroheim, Nancy Olson, Fred Clark, Lloyd Gough, Jack Webb, Franklyn Farnum, Larry Blake¹, Charles Dayton (2), Cecil B. DeMille, Hedda Hopper, Buster K.. 20 / 09 / 2008 / 18.00h / Duração: 1h 50`
Ex-diva do cinema mudo (Gloria Swanson) recebe a visita de um roteirista desconhecido (William Holden). Este é quem narra a história, com doses de humor, sarcasmo e drama, para relembrar seu envolvimento com Norma Desmond, uma esquecida estrela de Hollywood que vive de lembranças em sua mansão localizada na célebre Sunset Boulevard e cujo único empregado é, ironicamente, o antigo diretor de seus filmes (memorável performance de Erich von Stroheim). Clássico absoluto de Billy Wilder, vencedor de três Oscars, o filme é uma das mais devastadoras sátiras sobre o lado sombrio do ser humano e da indústria de cinema americano.
Comentadora: Janice Gonçalves / História / UDESC
CIDADÃO KANE - USA, 1941 - Drama. Dirigido por Orson Welles. Elenco: Joseph Cotten, Orson Welles, Dorothy Comingore. 24 / 09 / 2008 / 18.30 / Duração: 1h 59
Quando dirigiu, produziu, protagonizou e foi co-roteirista de Cidadão Kane, Welles tinha 25 anos e já conquistara fama, confirmando sua índole polêmica, ele fez um filme no qual se identificavam alusões ao magnata das comunicações William Randolph Hearst. A história conta como o repórter Thompson (Joseph Cotten) reconstitui a trajetória do empresário da imprensa Charles Foster Kane (Welles), buscando decifrar o significado de sua última palavra no leito de morte: "rosebud". O repórter entrevista, então, as pessoas próximas ao figurão. Um emaranhado de informações vai se costurando à frente dos olhos do espectador, desde a infância pobre, revelando um Kane por vezes perturbado, mas sempre ambicioso. Essa multiplicidade de fontes usadas pelo repórter cria um conjunto de perspectivas diferentes, funcionando como peças do quebracabeças que os espectadores vão montando.
O filme faz uso de flashbacks, sombras, tem longas seqüênciãs sem cortes, mostra tomadas de baixo para cima, distorce imagens para aumentar a carga dramática; a iluminação é pouco convencional, o foco transita do primeiro plano para o background, os diálogos são sobrepostos e os closes usados com contenção. Revolucionário. O personagem pode ser visto retrospectivamente como alguém amargo, sombrio, arrogante, manipulador, cruel e impiedoso. Sua trajetória, no entanto, encerra muito do sonho americano: idealismo, espírito de iniciativa, fama, dinheiro, poder, mulheres, imortalidade.
Oscar: Vencedor dos Prêmio de Melhor Roteiro - Indicado aos Prêmios de Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Direção de Arte, Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora, Melhor Som e Melhor Fotografia.
Assoc. de Críticos de Nova York: Vencedor Prêmio de Melhor Filme.
HIROSHIMA MEU AMOR - FRANÇA / JAPÃO, 1959 - Drama. Dirigido por Alain Resnai. Roteirista: Marguerite Duras. Elenco: Emmanuelle Riva, Eiji Okada, Stella Dassas, Pierre Barbaud, Bernard Fress. 27 / 09 / 2008 / 18.00h / Duração: 1h 30`
História de uma atriz francesa (Emmanuelle Riva) que está em Hiroshima para participar de um filme sobre a paz. Durante as filmagens ela acaba se envolvendo com um arquiteto japonês (Eiji Okada) que sobreviveu ao bombardeio. Ele a faz relembrar seu primeiro amor, um soldado alemão que conheceu em Nevers, na França, no final da Segunda Guerra, período no qual foi perseguido.
.Toda a ação de ''Hiroshima Meu Amor'' é entrecortada por estas lembranças e o tempo presente. Foi um dos filmes que mais influenciaram os jovens intelectuais engajados politicamente nos anos 1960.
Entrelaçando som e imagem, cenas de um brutal documentário e seqüências tenras de amor, passado e presente, cidade e indivíduo, paixão e desespero, Alain Resnais cria um filme de tirar o fôlego que, como muitas outras obras de arte, nunca pode ser inteiramente apreciado e entendido. Hiroshima, Mon Amour precisa ser sentido - combinando os leves carinhos do amor de dois corpos interligados com a pele queimada e cheia de bolhas de uma vítima de ataque atômico - e os sentimentos que são aqui evocados desafiam o entendimento e explanação. O filme ganhou diversos prêmios em Cannes e foi indicado para o Oscar de Roteiro.
LOLITA - EUA / INGLATERRA 1962 - Comédia / Drama. Dirigido por Stanley Kubrick. Elenco: James Mason, Shelley Winters, Sue Lyon. 04 /10 /2008 / 18.00h / Duração: 2h 32`
Idealizado a partir do livro homônimo de Vladimir Nabokov, e com roteiro creditado ao próprio, Lolita aparece dentro da filmografia de Stanley Kubrick como o mais polêmico de seus trabalhos, ainda que o texto original de Nabokov tenha sido drasticamente alterado quando da realização efetiva do filme, de acordo com várias fontes.No início dos anos 60, a demonstração de qualquer coisa remotamente associada à pedofilia era algo sobre o qual a censura mantinha olho vivo.Lolita é uma pré-adolescente de 14 anos, de olhar encantador e trejeitos inocentemente sensuais. Ela dá nome ao filme e preenche a alma do professor Humbert (James Mason), um escritor que acaba de chegar da Europa para lecionar nos Estados Unidos e hospeda-se na pensão de Charlotte Haze (Shelley Winters), a mãe da moça. Humbert apaixona-se assim que põe os olhos na garota.Ao redor de sua redoma obsessiva está o também escritor Clare Quilty (Peter Sellers), uma figura excêntrica que vira e mexe se intromete entre ele, Charlotte e a adorável Lolita.
Exercício sutil sobre a obsessão sexual, retrato amargo de uma criatura condenada por essa obsessão e uma ode à tenra beleza feminina e seus irresistíveis encantos. É quase possível sentir pena do personagem de James Mason, um homem normal até o último fio de cabelo, sem atrativos físicos ou posses a que se poderia atribuir o fascínio recíproco de uma adolescente com os hormônios em franca ebulição.
.
Assinar:
Comentários (Atom)
