55. Infância, Adolescência e Juventude no Brasil: História e Historiografia
Coordenadores: SILVIA MARIA FÁVERO AREND, ESMERALDA BLANCO BOLSONARO DE MOURA
Nos últimos encontros nacionais organizados pela Associação Nacional dos Professores Universitários de História – ANPUH os simpósios temáticos propostos sobre História da infância, da adolescência e, mais recentemente, da juventude, revelaram-se espaços oportunos de interlocução entre pesquisadores das várias regiões do Brasil. A presente proposta pretende dar continuidade a esse debate, indicativo, sem dúvida, de que a História da infância, da adolescência e da juventude tornou-se, nas últimas décadas, um campo de estudos valorizado internacionalmente. Consolidada, também, no Brasil, essa linha de pesquisa configura campo de estudos ainda em aberto, uma vez que as análises têm conferido prioridade ao mundo urbano - em que sobressaem grandes cidades brasileiras - às instituições – sobretudo correcionais -, às modalidades de abandono, à ilegitimidade, ao trabalho infantil, dentre outras questões, a demonstrar que os temas afeitos à infância, à adolescência e à juventude continuam a apresentar, não obstante a densa produção historiográfica existente a respeito, amplas possibilidades de abordagem. Possibilidades que, somadas à centralidade que infância, adolescência e juventude apresentam no Brasil e no mundo, conferem mais do que mera atualidade, sentido à pesquisa histórica e, portanto, ao interesse dos historiadores e historiadoras quanto à questão.
Oportunidade ímpar para reunir pesquisadores em torno de eixos temáticos, o mini-simpósio proposto configura uma possibilidade de discussão que abrange a historiografia, os aportes teórico-metodológicos e documentais, além de reflexão sobre os múltiplos temas relativos à história da infância, da adolescência e da juventude.Especialmente nas últimas décadas do século XX, as crianças, os adolescentes e, mais recentemente, os jovens, têm ocupado, um significativo espaço de discussão na sociedade brasileira. A produção historiográfica sobre estes sujeitos é relevante, na atualidade, tanto no Brasil, quanto no exterior. Todavia os desafios presentes na escrita de História sobre as temáticas da infância, adolescência e juventude são inúmeros. Afirmamos na apresentação, que a grande maioria dos estudos foi realizada tendo como cenário o mundo urbano e os problemas advindos da modernização da sociedade. Outras dimensões, tais como, as relativas à etnicidade, as relações de gênero, ao rural, a religiosidade, etc podem ser incorporadas nas análises. De maneira geral as fontes documentais escritas, orais e áudiovisuais possibilitam estes outros olhares que, conjugados aos existentes, ampliariam os saberes históricos acerca do universo infanto-juvenil. A perspectiva da vitimização das crianças, adolescentes e dos jovens também deve ser superada, uma vez que esta abordagem impede que o historiador os perceba como sujeitos plurais.

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